A prevenção à violência doméstica e familiar começa também pela educação, pelo diálogo e pela capacidade de reconhecer situações que ferem a dignidade humana. Com essa proposta, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), por meio da Coordenadoria da Mulher, iniciou na segunda-feira, 19 de outubro, em Ponta Porã, o projeto “Clarisse me Disse”, uma iniciativa que utiliza a literatura, a arte e atividades educativas para levar às crianças informações sobre proteção, respeito e prevenção à violência. A programação segue até quinta-feira, dia 22 de outubro, e contempla cinco escolas da rede municipal, alcançando 252 estudantes.
Um dos momentos mais significativos da abertura ocorreu na Escola Municipal Rural Graça de Deus, na região do Capeí, onde foi lançada a versão em guarani kaiowá do livro “Clarisse me Disse”, de autoria da juíza de Direito Caroline Costa de Camargo, titular da 2ª Vara da Comarca de Capão Bonito, no interior de São Paulo. A tradução representa um passo importante para aproximar a mensagem de prevenção à violência das comunidades indígenas, respeitando sua identidade cultural e ampliando o acesso das crianças e de suas famílias a informações sobre direitos e proteção.
A solenidade reuniu a desembargadora Sandra Artioli, da Coordenadoria da Mulher do TJMS; a juíza Thiely Alencar Dias Pitthan, da Comarca de Ponta Porã; e a juíza Caroline Costa de Camargo, autora da obra. Também participaram as integrantes da Coordenadoria da Mulher Ângela Maria Ribas de Souza, Ariele Faverzani da Luz e Patrícia Barbosa Rodrigues, além de autoridades municipais, professores, coordenadores escolares e outras personalidades.
Representaram o município a secretária municipal de Governo e Comunicação, Paula Consalter Campos, e a secretária municipal de Cidadania e Inclusão Social, Dilma da Silva Leite. A vereadora Ângela Derzi participou representando a Câmara Municipal de Ponta Porã.
Durante o encontro com a comunidade escolar, a autora apresentou a proposta do livro, que acompanha a história da menina Clarisse e sua percepção de situações de violência no ambiente familiar. Com uma linguagem acessível ao público infantil, a narrativa estimula a reflexão sobre comportamentos violentos, o respeito nas relações e a importância de procurar ajuda quando alguém se sente ameaçado ou desprotegido.
A tradução para o guarani kaiowá consolida a importância de considerar as particularidades linguísticas e culturais das comunidades atendidas pelas políticas públicas. Ao levar a temática da violência para uma linguagem mais próxima da realidade dos estudantes, o projeto contribui para que a mensagem seja compreendida e compartilhada, fortalecendo o diálogo entre escola, família e comunidade.
Além da apresentação do livro, a programação de abertura contou com apresentações das crianças, incluindo uma música em guarani kaiowá, e com uma apresentação teatral interativa do Grupo de Risco. A encenação da história envolveu os participantes em reflexões sobre a violência doméstica, a necessidade de proteção e as possibilidades de buscar apoio diante de situações de risco.
A proposta do “Clarisse me Disse” vai além de uma atividade pontual. O projeto também prevê a formação de professores e o desenvolvimento de ações pedagógicas em sala de aula, com desenhos, pinturas e reflexões sobre o tema, especialmente com estudantes do 4º e 5º anos do Ensino Fundamental.
A escola tem papel fundamental nesse processo, pois é um dos espaços em que crianças podem encontrar acolhimento, orientação e adultos preparados para perceber sinais de sofrimento.
Em Ponta Porã, as atividades foram organizadas em cinco unidades escolares, distribuídas entre a área urbana e a zona rural do município. O cronograma começou na Escola Municipal Rural Graça de Deus e na Escola Municipal Dora Landolfi, em Sanga Puitã, ambas atendidas na segunda-feira, dia 19.
Na terça-feira, dia 20, a programação chegou à Escola Municipal Jardim Ivone. Na quarta-feira, dia 21, a atividade será realizada na Escola Municipal Rural Juvenal Fróes, localizada no Assentamento Dorcelina Folador. O encerramento está previsto para quinta-feira, dia 22, na Escola Municipal Professora Conceição Capiberibe Saldanha.
Fonte: Tribunal de Justiça de MS